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Morre o criador do Sirius

Antonio Ricardo Droher Rodrigues, o criador dos projetos aceleradores síncrotrons brasileiros: UVX e Sirius, faleceu em 03 de Janeiro deste ano.

Fonte: UOL

Antonio Ricardo Droher Rodrigues faleceu na sexta-feira, 03 de janeiro, aos 68 anos. Engenheiro civil formado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e doutor em Física pelo King’s College, University of London. Foi responsável pelo projeto dos aceleradores dos dois síncrotrons brasileiros: o UVX, o primeiro do hemisfério Sul, inaugurado em 1997, e o Sirius, seu sucessor, em fase final de comissionamento, ambos no Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas.

Em tratamento de um câncer no pulmão, Ricardo Rodrigues não presenciou a primeira volta de elétrons no anel de Sirius, em 25 de novembro de 2019, e nem estava presente quando a equipe conseguiu armazenar elétrons por várias horas no acelerador, em 14 de dezembro do mesmo ano. Mas apareceu para uma foto dois dias depois, quando a equipe conseguiu gerar corrente suficiente para fazer chegar a luz síncrotron pela primeira vez em uma das futuras estações experimentais do Sirius . “Fizemos por ele. E ele ficou muito feliz”, diz Antonio José Roque da Silva, diretor-geral do CNPEM.

Clique no link para saber mais sobre o acelerador sincrotron Sírius.

SíriusClique aqui

No segundo ano de graduação em engenharia civil da UFPR, Ricardo Rodrigues começou a estudar óptica de raios X, orientado por Cesar Cusatis, coordenador do Laboratório de Óptica de Raios X e Instrumentação no Departamento de Física. “Era uma pessoa excepcional”, lembra Cusatis. “Saiu da graduação e foi imediatamente aceito como aluno de doutorado no King’s College, tendo como orientador Michael Hart, o inventor do interferômetro de raios X”, conta Cusatis. “Quando voltou ao Paraná foi um suporte fundamental para nosso laboratório”, ele conta.

Três anos depois, transferiu-se para o Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP), de São Carlos, onde Cusatis tinha feito o doutorado na área de cristalografia de RX, orientado por Ivone Mascarenhas. “Ricardo Rodrigues é um cientista de alto padrão e um dos personagens mais importantes na história recente da ciência brasileira”, diz Sérgio Mascarenhas, professor aposentado do Instituto de Física da USP de São Carlos.

Mais informações sobre Antonio Ricardo Droher Rodrigues

Nasceu em Curitiba em 1951, formou-se pela UFPR em 1974, onde foi professor por um período. Obteve o doutorado em 1979 com a tese “X-Ray Optics for Synchrotron Radiation” (Ótica de Raios-X para Radiação de Síncrotron).

Em 2001, se afastou do LNLS e fundou a SKEDIO Tecnologia, uma empresa de projetos industriais. Tornou-se diretor do LNLS em 2009.

 

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