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O transistor de efeito de campo de junção

O transistor de efeito de campo de junção (JFET) é um componente com muitas aplicações. Neste post, são mostrados a estrutura e o funcionamento.

Estrutura interna do transistor de efeito de campo de junção

Consiste em um substrato (Substrate) de material semicondutor, geralmente silício, dopado para ter falta ou excesso de elétrons. No JFET, parte do semicondutor ligado à porta é dopado do tipo oposto ao do substrato. Os terminais do transistor de efeito de campo são: porta (Gate), dreno (Drain) e fonte (Source). Materiais do tipo N (N-type) são dopados para terem mais elétrons e os do tipo P (P-type), para terem menos elétrons.

transistor de efeito de campo
À esquerda, é o transistor do tipo N. Enquanto à direita, é o do tipo P. Os símbolos acima são as representações no esquemático. Fonte: Pinterest.

Funcionamento

O transistor de efeito de campo também é chamado de unipolar, porque usa somente elétrons ou lacunas (espaços vazios sem elétrons, portanto, são cargas positivas) para a circulação de corrente dentro do dispositivo. Enquanto o transistor bipolar de junção (BJT) usa ambos. No JFET, a corrente flui somente pelo substrato e é controlada pela tensão no terminal da porta. Nas junções p-n, existe uma região de depleção, como na junção p-n do diodo.

Transistor de efeito de campo de junção.
Em um JFET do tipo n, quando há uma tensão reversa entre a porta e a fonte (U_{GS}), as regiões de depleção aumentam. Estas se expandem mais no lado do dreno do que no lado da fonte. Quando estas regiões quase se tocam, a corrente de dreno, em vermelho, atinge o limite máximo e o transistor fica em saturação. Se fosse um JFET do tipo p, a polaridade de U_{GS} teria que ser invertida. Fonte: Electronic Diagram.

Se colocar uma tensão direta entre a porta e a fonte, o transistor pode queimar. Para entender como acontece a expansão da região de depleção, acesse o post sobre o funcionamento do diodo.

DiodoClique aqui

Curvas características e equações

Gráfico do transistor de efeito de campo
Como os BJTs, os JFETs também possuem curvas características. À esquerda, é o gráfico da corrente de dreno (I_{D}) em função da tensão porta-fonte (V_{GS}). Enquanto à direita, é a curva característica de saída, o gráfico I_{D} vs. tensão dreno-fonte (V_{DS}). Fonte: Datasheet do BF245.

A equação de Shockley relaciona a corrente de dreno (I_{D}), que passa pelos terminais dreno e fonte, com a tensão porta-fonte (V_{GS}).

I_{D}=I_{DSS}(1-\frac{V_{GS}}{V_{p}})^2

Onde I_{DSS} é a corrente máxima de dreno quando V_{GS}=0 e V_{DS} é maior que a tensão de pinch-off (V_{p}), que é a tensão que separa a região ôhmica ou linear, onde há variação de I_{D}, da região de saturação. Por exemplo, quando V_{GS}=0, V_{p} do transistor BF245 é de 7 V. Na região ôhmica, o JFET pode ser usado como um resistor controlado por tensão. Esta é a equação da resistência do transistor entre o dreno e a fonte.

r_{d}=\frac{r_{o}}{(1-V_{GS}/V_{p})^2}

  • r_{o} é a resistência quando V_{GS}=0.
  • r_{d} é a resistência quando V_{GS}<0.

O próximo post será sobre outro tipo de transistor de efeito de campo, o MOSFET.

 

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